Impactos da pandemia nas periferias muda opinião de eleitor de Bolsonaro sobre voto

Arrependido do voto nas eleições presidenciais de 2018, empreendedor da quebrada reconhece que Bolsonaro não tem capacidade para ser presidente. O fraco desempenho no combate à pandemia e as queimadas na Amazônia foram fatores cruciais para o eleitor avaliar e repensar a capacidade do presidente de governar o país.

Por Ronaldo Matos 29/04/2020 - 12:41 hs
Foto: Menino do Drone
Impactos da pandemia nas periferias muda opinião de eleitor de Bolsonaro sobre voto
Imagem aérea da abertura de covas no Cemitério São Luis, zona sul de São Paulo.

O jovem Jhonny Miranda, 21, morador de Itapecerica da Serra, publicou recentemente em suas redes sociais estar arrependido de votar no presidente Jair Bolsonaro, sentimento que vem sendo compartilhado por muitos brasileiros, devido aos últimos acontecimentos que envolvem o líder do poder executivo federal em relação às tomadas de decisão para combater a pandemia de coronavírus e a crise política com o ex-ministro da justiça Sérgio Moro e a Polícia Federal.

Com o avanço da pandemia de coronavírus nas periferias e a possibilidade de ter familiares afetados, por fazerem parte dos grupos de risco, o empreendedor mudou sua avaliação em relação ao preparo do presidente para governar o país. “Acho que foi um momento crucial pra entender que ele não tem capacidade e nem competência pra estar onde está. Governos similares a ele como o primeiro ministro britânico e o presidente americano mudaram o discurso quando perceberam que a situação é realmente grave, no entanto, o Bolsonaro prefere fingir que nada acontece.”

Miranda afirma que conhece diversas pessoas que não fizeram como ele, publicando em suas redes sociais a insatisfação com o presidente, mas que se arrependem de ter votado em Bolsonaro.

Em 2018, ano no qual, as eleições presidenciais foram marcadas por um cenário de constantes ataques políticos por meio da difusão de fake news, o presidente Jair Bolsonaro surgiu como um candidato que prometia renovar as estratégias políticas ligadas principalmente à segurança pública e a economia brasileira. Esse discurso foi um dos fatores que levou Miranda a definir seu voto. 

“As ideias e propostas em segurança publica e na economia foram os pontos cruciais para meu voto em Bolsonaro. Ele sempre afirmou que colocaria pessoas técnicas e que não interferiria nas decisões de seus ministros”, conta ele, enfatizando que a escolha dos ministros demonstra um cenário totalmente contrário ao prometido durante a campanha. “O problema que a maior parte dos ministros, principalmente do meio ambiente, relações exteriores e educação são altamente ideológicos e travam uma guerra imaginaria com a já falecida ideologia petista.”

“É nítido que o presidente caiu na velha política ou sempre esteve nela”

Essa percepção de Miranda de avaliar a incapacidade do presidente de governar o país não surgiu recentemente. Desde o período de início das queimadas nas florestas amazônicas, o empreendedor já demonstrava uma insatisfação com a atuação de Bolsonaro e seus ministros. “ Durante as queimadas na Amazônia ao invés dele resolver ele criava acusações e especulações que em nada ajudaram.”

O jovem empreendedor faz questão de ressaltar a sua maior decepção com o presidente. “As duas pautas que me fizeram votar nele (segurança publica e economia) eu não me arrependo. Agora com a saída do Sergio Moro o cenário muda. É desesperador a forma como os ministros de Relações Internacionais e Educação leva seus cargos com despreparo, sendo isso, juntamente com a crise na Amazônia e a atual crise da pandemia minhas maiores decepções.”

Miranda faz questão de enfatizar que não segue uma ideologia política ou seguimento partidário especifico de direita ou esquerda. “Acho que essa divisão política no Brasil corrobora para o extremismo e não compactuo com nenhuma dessas.”

Embora esteja descontente com o desempenho e o formato de governar de Bolsonaro, o jovem não acredita que o caminho seja o impeachment. “Eu sou absolutamente contra um impeachment já que isso traria um longo período de impasse político e de derrotas na economia e na vida social.”

Ele finaliza a entrevista dizendo que se identifica com a frase da cientista política americana Amy Erica Smit. “O ministro pulou do ‘Titanic antes que afunde’, pois é notório que ele sabe dos crimes praticados pelos filhos do presidente e outros aliados”, e complementa afirmando: “é nítido que o presidente caiu na velha política ou sempre esteve nela.”