Vó Tutu transforma quintal de casa em lugar de afeto e construção política na Brasilândia

Através de ações que vão de cuidados com saúde à alimentação de idosos e crianças, Vó Tutu, moradora da Brasilândia, pensa no crescer e envelhecer dentro das periferias, e com isso vem construindo espaços políticos e de afeto no quintal de sua casa.

Por Evelyn Vilhena e Flávia Lopes 27/11/2019 - 15:00 hs

Pensar e atuar pela garantia de direitos sociais junto à população quem vem amadurecendo nas periferias inclui criar formas de bem estar físico e mental, para que essas pessoas que em 2050 corresponderão a mais de 22% da população do município de São Paulo, em comparação a 7,8% em 2010, segundo dados da Fundação Seade, possam desfrutar de todas as fases da vida com mais qualidade.

 

Neste cenário, as dinâmicas de crescer, viver e principalmente envelhecer na periferia ganha um novo olhar, agora não só político, mas também afetivo. Esse olhar para o envelhecer é construído diariamente por moradores que, na falta do serviço público que deveria ser garantido pelo Estado, criam caminhos para cuidar do outro.

 

Um exemplo de pessoas que tem mobilizado o território e a si mesma para construir espaços de acolhimento e bem estar nas periferias, é a Maria Paulina, conhecida como Vó Tutu. Nascida e criada na Brasilândia, distrito da zona norte de São Paulo, no auge dos seus 68 anos, Tutu busca cuidar da população idosa da região, a partir de ações coletivas que realiza no salão de casa.

Quando se trata de saúde pública na Brasilândia, esse é um dos distritos com maior tempo de espera para agendamento de consultas em São Paulo. Para realizar consulta com o médico do Programa Saúde da Família, o tempo médio de espera é de 9 dias. Já para consultas com o clínico geral, a espera é de em média 62 dias.