Maria Vilani transforma experiência de vida em aprendizado sobre produção cultural na periferia

Ao longo do segundo bate papo promovido pelo programa de formação cultural Criando Criadores, Maria Vilani tocou em assuntos que emocionaram, ensinaram e alertaram o publico presente na sede da Ocupação Mateus Santos sobre formas de atuação do empreendedor cultural nos dias atuais.

Por Ronaldo Matos 07/11/2016 - 14:24 hs

Por Ronaldo Matos


Iniciando a roda de conversa na última terça-feira (25) com a afirmação “empreender é ter disciplina, perseverança e acreditar em si mesmo”, Maria Vilani deixou claro ao publico presente na sede da Ocupação Cultural Mateus Santos que aquela noite seria composta por momentos de reflexão e pensamento critico. E essa proposta ficou ainda mais evidente quando ela abordou em seu discurso questões como empreendedorismo, educação, produção cultural, machismo e respeito ao próximo.

Durante uma hora e 30 minutos, a ativista cultural apresentou uma série de cenários sociais que moldam o dia a dia do artista independente e dos coletivos da periferia. “Estamos num momento político que muitas portas se fecharam. Mas nós não podemos nos fechar para o mundo. E enquanto houver força humana os projetos acontecem”, enfatiza ela.

Aproveitando que o tema do bate papo era “Empreendedorismo Cultural”, Vilani resumiu em poucas palavras a sua posição sobre o tema. “O Empreendedorismo cultural está vinculado a valorização da arte e do ser humano e não do retorno financeiro”, destaca a professora, lembrado o processo de criação de um dos seus mais novos projetos. “Eu estou tentando empreender a criação de um Fórum de Educadores e nós não vamos buscar o dinheiro como retorno, mas a dignidade para a nossa categoria”, diz a professora.

Com olhares atentos no bate papo, boa parte do publico presente demonstrou estar surpreso com os aprendizados compartilhados por Maria Vilani. “Eu fiquei bastante tocado com a palestra dela. Quando você ouve ela falando dá um gás impressionante pra gente agilizar as coisas e fazer acontecer”, relata  Rafael Limberger, morador da comunidade de Ermelino Matarazzo e membro do coletivo de fanzine Bergamotas.

Frequentadora das ações culturais promovidas pelo Movimento Cultural Ermelino Matarazzo, a jovem Maria Mel de 14 anos diz que ficou impressionada com a história de vida da ativista. “Eu não esperar ouvir e aprender tudo isso. E a partir de agora, eu vou pensar muito em como tratar as pessoas, porque ela abriu meus olhos do quanto isso é importante.”

Mesmo já conhecendo o trabalho desenvolvido por Maria Vilani, a moradora do bairro de Tatuapé, na zona leste de São Paulo, Viviane Pereira, idealizadora do projeto “Música Compartilhada”   afirmou que sai bate papo fortalecida pela troca de conhecimento. “Eu saio daqui levando comigo o privilégio de acreditar na vida próximo. E esse projeto Criando Criadores representa isso pra mim. Essa troca de conhecimento com a Maria é muito rica e é isso que atrai os jovens até esse espaço”.

Outra característica marcante do publico é a representatividade feminina presente no bate papo. E a convidada aproveitou esse cenário para relatar de momentos marcantes da sua militância. “Eu sofri muito por ser mulher. E hoje eu faço um trabalho para resgatar a história da mulher no Brasil”, relembra Vilani ao falar sobre o processo de luta conta o machismo durante a sua trajetória de vida.

Ao final do bate papo, Vilani destacou suas impressões sobre os participantes do evento, que mesmo em uma noite chuvosa não pouparam esforços para  assistir a roda de conversa. “Eu acredito que uma palavra resume tudo o que eu estou sentido e vejo nestes jovens: lucidez. Porque eles tem consciência do momento que estão vivendo, sabem o que é necessário para contribuir com a aprendizagem do próximo e pela busca de instrumentos para transformação do meio em que eles vivem”, define a ativista cultural.